Como a maioria dos espíritos empreendedores, a atuação profissional de Maria José Bezerra de Araújo iniciou-se ainda muito jovem, antes dos 18 anos, na sua terra natal, Timon, no interior do Maranhão, nordeste do Brasil. Filha mais velha entre as mulheres de uma família de 12 irmãos, Maria José já ajudava no sustento da casa trabalhando na pequena escola que seu pai mantinha na cidade. Com a certeza de que deveria abrir horizontes e aprender mais para poder ajudar seus irmãos, enviou uma carta ao presidente Getúlio Vargas que atendeu seu pedido por uma bolsa de estudos para cursar enfermagem no Rio de Janeiro. “Recebi uma carta do chefe da Casa Civil dizendo que o presidente iria atender meu pedido. Fiz o vestibular e fui morar no Rio de Janeiro, estudando na universidade católica”, conta Maria José.

Com desempenho acima da média entre os alunos, logo que se formou, recebeu uma indicação do diretor da faculdade e foi trabalhar no Ministério da Saúde. Seu primeiro trabalho foi no Pará, estado da região norte do Brasil, também muito carente de serviços básicos de saúde. “Meu primeiro emprego do dirigir um hospital em Santarém, no Pará, onde tive minha primeira experiência em treinamento, pois tive que disseminar as novas técnicas em enfermagem que havia adquirido na faculdade”, lembra ela.

Esse trabalho junto ao Ministério de Saúde levou-a também para outras cidades, entre elas, Santos, cidade litorânea de São Paulo, onde aprofundou-se em fornecer treinamento qualificado para mão-de-obra na área de saúde. “Nessa época comecei a  escrever as apostilas que depois iriam se transformar nos livros que publiquei ao longo da minha carreira”. Nesse mesmo período em que a enfermeira Maria José começa a transformar-se em escritora, também inicia sua trajetória como empresária e monta seu primeiro curso. “Antes disso de montar minha própria escola, já mantinha um curso por correspondência para os quase 6.000 profissionais que havia treinado nos estados que trabalhei, e até fora do país, em países como Angola e outros de língua portuguesa, chegando a responder cerca de 300 cartas por dia. Na verdade, acredito que já estávamos antecipando uma tendência que se confirmou com o Internet, que é a educação à distância”, explica Maria José.

De volta ao Rio de Janeiro foi chamada para treinar a mão-de-obra de um dos principais hospitais da época, o Gafrée Guinle. “Criei um departamento de treinamento para o pessoal do hospital e tive a certeza da necessidade de montar uma escola que pudesse dar formação de qualidade a esse contingente que chegava ao mercado de trabalho despreparado”, conta ela. Com quatro empregos ao mesmo tempo, com uma natureza de líder e focada na administração e ênfase em  logística do conhecimento para poder conseguir disseminar as informações da sua área, ela fundou em 1973 o Colégio Bezerra de Araújo, que oferece cursos profissionalizantes de nível médio.

Com o desenvolvimento de sua carreira e percebendo a lacuna de informações foi escrevendo outros livros, chegando hoje a sete títulos que são referências na área, utilizados inclusive em concursos públicos, além de um vídeo demonstrativo, hoje transformado em DVD, das principais técnicas de enfermagem, distribuídos pela Editora Bezerra de Araújo. “Isso me deu ainda mais projeção, pois meu trabalho ficou conhecido em outros estados brasileiros, onde eu ainda não havia ido”. Nas suas viagens para palestras, congressos e treinamentos, Maria José foi percebendo, com a intensa troca de informações, que já havia um contingente que demandava por uma formação mais especializada, de nível superior. Foi quando projetou a montagem da faculdade.“Sou pioneira nessa área. Sou a primeira enfermeira a possuir uma faculdade”, completa Maria José.

Com a faculdade consolidada com seus quatro cursos – Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia e Farmácia – o passo seguinte foi chegar à pós-graduação. O binômino educação e saúde se aprofundava cada vez mais para Maria José. “Todo o contingente formado em nossos cursos técnicos, na faculdade e na pós, e todo o conhecimento adquirido ajudaram o Brasil a trabalhar na solução de seus problemas na área de saúde”, conta orgulhosa. Para completar sua felicidade, recentemente todos os seus cursos foram avaliados com nota máxima pelo Ministério da Educação.

Com o trabalho reconhecido na área de saúde, Maria José estendeu sua atuação e passou a participar das entidades de classe. No Conselho Nacional de Enfermagem propiciou uma transformação no setor, organizando investimentos e denunciando desvios de recursos. Essa dedicação à área de saúde também fez Maria José ser reconhecida internacionalmente, sendo agraciada com o prêmio “Qualidade Latino-Íbero-Americano Excelência na Educação”  pela Associação Brasileira de Incentivo à Qualidade, que é parte de um grupo pan-americano de estímulo à qualidade, e estabelecer convênio com a Confederação de Enfermeiras da Itália para a troca de informações e novidades na área. “A questão da qualidade sempre foi muito importante para mim. Para trabalhar na área de saúde é necessário ter esse foco, afinal seu profissional trabalha com a vida das pessoas”, finaliza Maria José.